quarta-feira, 14 de junho de 2017

Estranha Noite

     
O trem se afastava da paisagem abarrotada de prédios e conduzia-se à vista de casinhas e do verde. Eu adoro a euforia que embala a cidade, as luzes, o barulho dos carros. Entretanto, hoje, ao voltar para casa, me senti acolhida pela calmaria, grata pelo meu teto que me abriga tão bem.
     Já em casa, o frio implorou um banho quentinho, despi junto às vestimentas as preocupações. Ali estava um espelho, o qual permite àquela análise terrível que fazemos de nós mesmos enquanto nus. A evidência do cansaço acomodava-se abaixo dos olhos num tom arroxeado. Senti-me, como em raras vezes antes, grata pelas marcas do tempo e das experiências em volta da minha pele.
     Abracei-me num sorriso singelo. Me descobri só e em paz. 
Não há nada que me faça querer sair de casa, hoje serei minha e do universo egoísta que à mim pertence.
Boa noite.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

A melhor versão de você mesma

     Dia desses, navegando pelo YouTube, vi um vídeo "10 dicas para ser uma garota Tumblr", curiosa que só, fui apurar as tais dicas. O que me assustou nem foi o conteúdo bem raso do vídeo mas também os vídeos recomendados que se listaram ao lado, "Como ser Tumblr", "Decoração Tumblr para o seu quarto" e por aí vai, e foi pra pior.
     Óbvio que esse tipo de conteúdo rendia milhares de visualizações, afinal, uma grande maioria busca uma aparência e um estilo de vida que sejam bem aceitos e aplaudidos, principalmente nas redes sociais. 
     É triste você saber que tem gente ensinando como ser bonita. QUEM FOI QUE DISSE QUE A ÚNICA BELEZA É ESSA? Por que nossos olhares se voltam insatisfeitos para nós mesmas e gananciosos à esse tipo de beleza, à esse estilo de vida? Por que querem nos ensinar a como alcançar um padrão que seja fisicamente atrativo? Por qual razão insistem em nossa beleza? Essa insistência nos faz acreditar que tudo que estiver alheio à obviedade da aparência física é inferior, assim como nosso conteúdo interior.
     Causa angústia ver tanta personalidade sendo jogada facilmente no lixo em prol de uma única beleza. A diversidade é tão linda, estamos a perdendo porque nos ensinam que o único caminho para que sejamos aceitas é ser bonita daquele jeitinho. O cabelo é liso, longo, tem que ser magra mas tem que ter carne nos lugarem certos, a sobrancelha tem que ser marcada. Se for negra o cabelo tem que ser black power e o estilo rapper. Longe de mim dizer que pessoas com esse estilo são feias, jamais! São lindas! Mas existem mais coisas lindas do que só esses quadradinhos em que por vezes já tentamos nos encaixar.
      Influenciadores digitais deviam se empenhar em ensinar meninas a como se amarem, a como exercerem sua singularidade... Se isso não acontece vamos buscar nos interiorizar! A vida é muito mais que nosso exterior. É claro que o que vemos no espelho influencia nossa auto estima, mas quando nossa mente está bem, a auto confiança flui tranquila e calma.
     Vamos resistir! É hora de nos desapegarmos desse padrão, é hora de abraçarmos nossa realidade e fazer dela o melhor que podemos. Vamos gritar nossa essência e nos olhar com mais carinho, amor... Seja a melhor versão de você mesma, e não a melhor versão de outra pessoa em você mesma.
Viva a sua vida ♥

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Sua



Ele, com o sorriso puxado que exprime bem o significado de sensualidade
Malditos olhos que fascinam até quando não querem
Perverso jeito de me segurar pelo cabelo e me arrastar até que minhas costas conheçam o frio das paredes
Amaldiçoadas são as mãos que me tocam o corpo com astúcia e encostam a alma com destreza
Libertinas as manifestações dos tapas sob minha pele
Impiedosos lábios que arrepiam o corpo em qualquer parte que assim seja abençoada por eles
Cruéis as feições que imploram por um rebolado à mais
eu te amo que deliciosamente escapa após o ápice, acompanhado de um beijo voraz, me liberam a certeza de que detenho a maior sorte do mundo por ser o seu amor, a sua linda, a sua risada favorita...

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

O que o futuro me reserva

     Eu tô indo embora, sem aviso prévio porque essa liberdade é minha. Em mais nenhuma vez meu riso vai ecoar entre as paredes do seu quarto ou meus suspiros vão soprar seu ouvido no box desse banheiro. Nunca mais vou agarrar seu cabelo ou os lençóis da sua cama. Nunca mais. Vou para onde a paz me chamar porque seu abraço já deixou de ser meu porto-seguro. Só quero um olhar que me conforte e seus castanhos só me lembram da ira.
     Quero despertar numa sexta e ter paz no coração, não perder o sono, poder me sentir segura. Quero dormir com amor no coração e ter certeza que acordarei mais apaixonada ainda pela pessoa que escolhi pra dividir essa jornada que é a vida.
      Qualquer dia desses estarei dançando na cozinha de outrem e o questionando sobre os dotes culinários. Qualquer tarde dessas eu vou aparecer de surpresa na porta dele, ele vai se sentir sortudo e reservará sua atenção pra mim.
Qualquer noite dessas eu vou revirar a cama dele e depois os olhos. 

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

...

     Imagem de grunge and night
     Ela vinha me visitar por vezes bem egoístas na semana. Exigia apenas uma xícara de café, borrava-a toda de batom das mais variadas cores, dizia ela que aproveitava pra usar as cores nos lábios em minha companhia já que o tal do namorado não curtia. Nunca gostei dele, engolia porque geralmente era ele quem a fazia bater na minha porta toda vulnerável.
     Às vezes ela chegava com aquele sorriso e cheia de coisas pra contar, um movimento novo das aulas de pole dance que ela, finalmente, conseguiu fazer. Novidades sobre o que queria fazer com o cabelo, sobre a vontade de sumir ou de como pensou num trocadilho legal. Noutras vezes, se largava no sofá, só tirava o sapato e ficava ali quietinha, brincando com meu cachorro, nunca me intrometi.  
     Achava infinitamente irritante, mas ao mesmo tempo engraçado, os pézinhos balançando de ansiedade ou preocupação. Quando eu ria meio contrariado ela esboçava um sorriso e depois voltava pro universo dos seus pensamentos, sem deixar escapar uma palavra sequer. Daí então levantava e se dirigia à sacada, ela imaginava (penso eu) milhares de coisas enquanto fitava o horizonte e fazia comentários sobre como somos miúdos perto da imensidão do mundo. Eu que me achava o todo poderoso baixava a guarda pra acompanhar os pensamentos loucos dela, entendê-la, e dizer que está tudo bem sermos pequenos e que, apesar de tudo, nossas próprias confusões nos confundiam e nos faziam achar que somos grandes. Ela sorria meio desconfortável, mas sorria e isso era valioso demais já que a humana me chegava aos prantos e com vontade de sumir da vida de todos, sem lembrar que eu faço parte desse todos.
      Intensidade é o sobrenome dela. Sempre me abraçou como as pessoas abraçam forte antes de partir pra uma jornada sem volta. Sempre tive medo das intenções ocultas dela, tenho medo dos abraços, tenho medo que ela parta.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Meu ponto de paz

Imagem de couple and love
Incrível o jeito que sua voz me conduz à calma. Me sinto sortuda por poder recorrer aos teus braços quando o mundo desaba ou quando o mesmo me enche de alegria. Não é sobre ter alguém para compartilhar a vida, é sobre você, sobre ter você que se faz tão único no passar dos dias e me envolve com todo esse amor. 

sábado, 4 de junho de 2016

O que o tempo faz

Imagem de love, couple, and black and white
Abriu a porta, senti o cheiro característico dele, me disse para sentar e esperá-lo. Me acomodei como a dama mais decente do mundo, conceito esse que já foi desfeito. Ele adentrou o cômodo do fim do corredor. Tínhamos acabado de regressar da nossa primeira noite de gala, não muito sóbrios.
Levantei para admirar de perto um quadro que sempre perpassei os olhos sobre. O movimento de sentar e levantar faz o meu vestido vermelho acetinado subir consideravelmente, não me incomodei em descê-lo. Depois de admirar o quadro, meus saltos me dirigiram ao corredor, dali pude ver uma fresta aberta da porta do cômodo que ele havia adentrado, estava tirando o cinto da calça, desabotoando a camisa... Me pegou espiando, deu o típico sorriso safado, apagou a luz, levantou as mangas da camisa, veio em minha direção, me colocou contra a parede do corredor, chegou pertinho, brincou com os dedos nos meu lábios, soltou um comentário sujo e se afastou como se nada tivesse acontecido, mas o volume da calça expunha a sua vontade.
Foi à cozinha, eu fiquei ali estática por uns 20 segundos, sorri e fui atrás dos passos dele. Abriu um vinho, nos serviu e me convidou à conhecer uns jogos que ele havia adquirido recentemente. Dei breves passos para me posicionar atrás dele. Comecei a fazer comentários sobre os jogos no ouvido dele, bem baixinho, beijei-o no pescoço. Ele deixou os jogos sobre a mesa, se virou, fingiu aquele momento pré-beijo, me deu um empurrãozinho grosseiro por saber dos meus gostos por brutalidade, seguiu ao som e colocou blues para tocar, trazendo à mim a nostalgia das primeiras vezes.
Cheguei perto, agarrei-o pela calça e puxei-o para dar o troco, provoquei-o até não conseguir me controlar, joguei-o no sofá. Virei o vinho num gole, larguei a taça. Aproveite-me da música e sem me preocupar com os olhares do prédio vizinho, comecei a descer o zíper lateral do vestido, bem devagar, como a música pedia. 2 minutos depois já estava no colo dele, dando início à sintonia que construímos nesse tempo que temos juntos. 
Há quem diga que novidades são dádivas, até ele mesmo diz isso. Mas duvido que ele esqueça como sorrio enquanto agarro os lençóis, duvido que ele troque nossas aventuras por qualquer novidade de uma noite.